1 Expansão Marítima Portuguesa A importância do começo da Expansão Marítima tem como partida a nossa localização geográfica. O Mar é um elemento da cultura portuguesa porque a sua influência é ainda visível nos tempos de hoje, designadamente: - Na Literatura – Os Lusíadas (Luís de Camões) e o Auto da Índia (Gil Vicente) - Na Pintura – Inúmeros quadros que retratam a importância do mar: Aquando das descobertas (fotografia da nau) Elemento paisagístico Elemento que caracteriza um dado local – Nazaré (é o sítio mais marcante porque houve o milagre do cavaleiro que andava a espalhar a fé cristã e o seu cavalo ficou preso) - Na Calçada Portuguesa – Acontecimentos marítimos. Rosa dos Ventos: um dos instrumentos utilizados na navegação - Na Arquitetura (monumentos que se ligam ao mar, como a Torre de Belém e qualquer padrão ligado aos Descobrimentos) - Na Gastronomia (pratos que só existem em Portugal) – sardinha em PT é servida num prato de barro. - Na Religião - Nas Tradições (festas ligadas ao mar e vestuário, como as roupas dos pescadores) Padrão dos Descobrimentos -» Criado por Cottinelli Telmo, arquiteto italiano, em 1940: Tinha como objetivo homenagear o Infante D. Henrique e marinheiros portugueses; Figura Principal – Infante D. Henrique a segurar um modelo de uma caravela; Lateralmente – Total de 32 figuras que fazem parte integrante da história dos Descobrimentos especificamente. Este e Oeste tem haver com uns navegadores terem ido para Oeste e outros para Este na Expansão..
2 Quatro aspetos dos Descobrimentos do ponto de vista cultural: - Pioneirismo Temporal -» Fomos os Primeiros a conquistar territórios nunca antes conquistados; (O povo português foi o primeiro a ser reconhecido como o conquistador do mar) - Dispersão Espacial -» Fizemos a Ligação do Oceano Atlântico com o Índico; (não ficámos restringidos a um só espaço – Brasil, Índia, …) - Pluralidade Civilizacional -» Mistura de Culturas, não temos o direito de tirar a cultura a ninguém nem eles a nossa. - Universalidade Cultural -» Consistiu na tentativa de conjugar aspetos culturais nossos e das terras conquistadas. (Tivemos contacto com as culturas tanto ocidentais como orientais) Interpretação das Imagens: 1ª Pintura – Retrata séculos passados e retrata a expansão marítima e a caravela. 2ª Pintura – Visão geral do mar, não tem um momento ou significado especifico, é intemporal..
3 A Conquista de Ceuta Conquistada a 21 de agosto de 1416, no reinado de D. João I, simboliza o começo dos descobrimentos, tendo em conta que abriu portas para várias áreas da cultura portuguesa. A sua localização, no Estreito de Gibraltar, proporcionou o acesso à seda, pérolas, marfim, ouro e especiarias, que eram comercializados pelos árabes. Fomos buscar os aspetos que mais se adequavam à nossa cultura, as joias e o ouro. A Filigrana é o que nos distingue de todos os restantes países do mundo, esta técnica de fusão única só existe em Portugal (Coração de Viana, brincos rainha, estrelas do mar, caravelas em ouro). Esta conquista levou à ideia do que Portugal podia alcançar, isto é, fomos para os Descobrimentos porque a conquista de Ceuta deu-nos acesso a produtos nunca antes vistos. Então deu-se início aos Descobrimentos para encontrar estes bens nunca vistos e comercializá-los, no entanto, foi dito que o objetivo era espalhar a fé cristã. Vantagens da Conquista de Ceuta: Controlo da entrada e saída de navios vindos do Atlântico para o Mediterrâneo e vice-versa. Evitar ataques de piratas na costa do Algarve Possibilidade de expandir a fé cristã em território, muçulmano, combatendo o islamismo. Oportunidade de superar a crise económica A sua localização no Estreito de Gibraltar foi uma forma de aceder aos mercados d cereais de Marrocos e era um ponto de encontro das caravanas que vinham do Oriente. A crescente popularidade das especiarias e dos produtos de luxo orientais nas cortes europeias aumentou a necessidade de ouro e prata para o pagamento dessas mercadorias Conquistas Marítimas 1434: Passagem do Cabo Bojador (um dos marcos mais importantes da navegação portuguesa – Gil Eanes) 1488: Passagem do Cabo da Boa Esperança – Bartolomeu Dias 1497-1499: Descoberta do caminho marítimo para a Índia (Vasco da Gama – Reinado do Rei D. Manuel I) 1500: Descoberta do Brasil (Pedro Alvares Cabral) Os Descobrimentos ocorreram ao longo de cerca de 2 séculos, proporcionaram avanços tecnológicos, isto é, Portugal desenvolveu a ciência náutica, escolas de navegação (Escola de Sagres), sendo as coroas as principais impulsionadoras. Instrumentos de Náuticos:.
4 Astrolábio: é o instrumento mais pertinente da expansão marítima. Este serve para medir a altura dos astros acima do horizonte e para determinar a posição dos astros no céu. Quadrante: tem a forma de um quarto de círculo graduado de 0º a 90º e um fio de prumo no centro. Permitia determinar a distância entre o ponto de partida e o lugar onde a embarcação se encontrava. O Quadrante a tem semelhanças quanto ao leque, à civilização pré-colombiana e funciona como identificador de distância. Bússola: é o instrumento de navegação e orientação mais usado durante os descobrimentos. É composta por uma agulha magnetizada colocada num plano horizontal e suspensa pelo seu centro de gravidade, e indica o Norte. Assemelha-se à forma do leme das caravelas. Balestilha: é uma vara de madeira de seção quadrada e tem cerca de 80 centímetros de comprimento. Tinha como função medir a altura, em graus, que une o horizonte ao astro e, dessa forma, determinar os azimutes, antes e depois da sua passagem meridiana. Liga-se à conquista de Ceuta em que os povos muçulmanos utilizavam-na para calcular formas de se defender ou Usada após a nossa chegada à Índia..
5 Carta Náutica Europeia: datada do século XIII ou posterior; mapas primitivos manuscritos em pergaminho. Dispunham de um sistema de retas direcionais a partir de uma rosa-dos-ventos. Permitia calcular os pontos de acerto de rota de navegação com o auxílio da bússola. Produtos Oriundos de África: - Ouro; Escravos; Marfim; Malagueta; Café. Produtos Oriundos da Ásia: - Especiarias; Seda; Produtos de Luxo(joias); Arroz; Algodão; Chá; Banana; Manga. Produtos Oriundos da América: - Madeira; Açúcar; Ouro; Prata; Tabaco; Cacau; Feijão; Milho; Mandioca Principais Especiarias (Ásia): - Cravo da Índia; Pimenta do reino; Noz-Moscada; Gengibre; Canela; Açúcar Artesanato Português Existe há cerca de 10 mil anos Material mais antigo produzido pelo Homem Primeiras cerâmicas: Pré-História (vasos de barro, sem asa) Os romanos e árabes trouxeram para a Península Ibérica a olaria no Séc. VIII Património e herança cultural Identidade de um povo (tecelagem, cerâmica, cestaria, joalharia, bordados/rendas) Varia de região para região: Norte, Centro ; Ribatejo, Algarve Norte: - Galo de Barcelos - Rendas de bilros - Lenços dos namorados - Filigrana Centro:.
6 - Olaria (Núcleo da Olaria Romana da Qt. Do Rouxinol no Seixal (Fornos de cerâmica)) - Faiança decorada em tons de castanho, azul e roxo - Tecelagem - Cestaria Ribatejo: - Artesanato em couro: Descobrimentos – introdução de novas substâncias vegetais no processo de curtumes - Casacos de seda bordada dos cavaleiros (touradas: séculos XVII e XVIII) Alentejo/Algarve (?) - Artesanato em cortiça - Mobiliário em madeira pintado com flores representativas da região Cestaria e Tecelagem - A cestaria remonta aos indígenas (transporte de materiais) - Variedade na sua produção: palha, verga, salgueiro, junco - Adotada da cultura castreja (castros) que habitaram a norte do Mondego no séc. VI a.C. - Origem: indígena, persa, ibérica Tapetes de Arraiolos - 1598: primeira data a que se associam - Raízes nos mouros de Lisboa, expulsos por D. Manuel em 1496 - A caminho de Espanha e do Norte de África, terão ficado em Arraiolos desenvolvendo a sua profissão de tapeteiros Joalharia - Os Descobrimentos foram determinantes na joalharia - Do Brasil, séc. XVIII: ouro, diamantes, pedras preciosas e semipreciosas - Nos finais do séc. XVIII e inícios do XIX, Portugal assume uma posição de destaque Filigrana A filigrana é ouro normal só que o mesmo é tratado por fios e não como um todo. Fios de ouro que são ligados uns aos outros dando origem a peças exclusivas na nossa cultura..
7 É uma técnica de fusão única que consiste na forma como diferentes fios finos desenham padrões e são soldados de modo a criar uma peça muito maior. Joalharia - filigrana: - Rotas comerciais no Mar Mediterrâneo; - Popular nas civilizações Grega e Romana - Originalidade (técnica de fusão única) (frase escrita acima) - Representa o mar, a natureza, a religião e o amor: - O Mar: peixes, conchas, ondas e barcos; - A Natureza: flores, trevos e grinaldas; - A Religião: cruzes, relicários, medalhas com santos, anjos; - O Amor: corações em filigrana - Coração de Viana: - É um símbolo de dedicação e de culto do Sagrado Coração de Jesus - Como forma de agradecimento, pela “bênção” de lhe ter sido concedido um filho varão, a rainha D. Maria I mandou executar um coração de ouro - Colares - as contas de Viana descendem das gregas: - Ocas por dentro, leves e perfeitamente esféricas - Distinguem-se pelo fio em filigrana e por um pequeno ponto ao centro - Surgiram pela dificuldade em comprar um colar inteiro (as mulheres iam comprando conta a conta - Brincos Rainha:.
8 - Apareceram em Portugal durante o reinado da Rainha D. Maria I (1734 - 1816) - Símbolo de riqueza e de estatuto - Desenhos – um símbolo da fertilidade feminina - Arrecadas: - Brincos da população mais humilde - Com inspiração no quarto crescente da lua Arquitetura Portuguesa A Arquitetura e a Cultura A cultura e a arquitetura são áreas distintas, mas que se completam porque refletem o passado português e, desse modo, contribuem para a identidade do nosso país A Arquitetura é a prova de um tempo e dos seus acontecimentos. Esta expressa a história, a religião e a política. Determinados edifícios refletem de tal forma a nossa cultura que são reconhecidos como património mundial da UNESCO – Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém, Templo de Évora, Mosteiro da Batalha. Períodos: - Megalítico (Neolítico) Objetivos funerários (dólmens ou antas).
9 - Dólmen/Anta Objetivos não funerários (menires) Exemplo: Évora – Anta Grande do Zambujeiro - Árabe (ocupação 712-1249) Arco em ferradura Ornamentação (estética) Arcadas com colunas (capitéis) Exemplo: Palácio Nacional de Sintra, Castelo de Silves, Igreja Matriz de Mértola - Românico (D. Afonso Henriques) Templos, estradas, pontes, aquedutos, igrejas, mosteiros Solidez, robustez e sobriedade Arco e abóbada Janelas pequenas Exemplo: Sé de Coimbra, Sé de Lisboa e Sé do Porto, Ponte de Vila Formosa.
10 - Gótico (Idade Média – séc. XII - XV) Liga-se à religião, o Homem deve sentir paz, tranquilidade, serenidade na casa de Deus Construções de grande beleza e detalhe (castelos e palácios) Vitrais (intencionalidade na mistura de cores) Ogivas e arcos Luminosidade Exemplo: Igreja do Mosteiro de Alcobaça, Mosteiro da Batalha - Manuelino (Descobrimentos – séc. XV - XVI) Homenagear e alusivo aos descobrimentos, mostrar como o Homem é divino Decoração rica Pormenores marítimos, animais e vegetais Exemplo: Torre de Belém e Mosteiro dos Jerónimos - Barroco (séc. XVII - XVIII) Importância de Deus, o Homem é um ser inferior e deve respeitar a entidade divina Grandiosidade e espaços ovais Abóbadas, arcos e colunas Imponência e austeridade Talha Dourada Exemplo: Basílica da Estrela, Palácio Nacional de Mafra - Pombalino (Marquês de Pombal – final do séc. XVIII) Na sequência do terramoto de 1755 (a baixa lisboeta sofreu dos maiores sismos da Europa.
11 Sistema de construção racional antissísmica (construções planas ou até 4 andares) Exemplo: Arco da Rua Augusta e Praça do Comércio Azulejo Português O azulejo é uma marca distintiva da cultura portuguesa. Tem origem egípcia, os árabes usavam-no para decoração. Em Portugal, no final do século XV, o azulejo apareceu após uma ida do rei D. Manuel I a Sevilha. Nesta viagem o rei deparou-se com uma decoração fora do comum, o azulejo, o qual encomendou para utilizar como decoração nas paredes do Palácio Nacional de Sintra. As trocas comerciais com o Oriente permitiram o conhecimento da porcelana chinesa, a admiração pela sua beleza, distinção e elegância. Era um objeto de luxo, simbolizava a riqueza de quem adquiria como nos exteriores, e expondo vários episódios e cenas alegóricas, religiosas e históricas. O azulejo que faz parte da nossa cultura tem quase que um aspeto rudimentar, porque era mesmo artesanal, não tinha cariz industrial, e tem o objetivo de representar sempre algo. No Séc. XVI: utilizavam uma cor lisa, com cercadura e barras No Séc. XVII: tentativas de imitação (azul e branco); representação de cenas religiosas, bélicas e mitológicas, deu-se a substituição das tapeçarias e das pinturas a óleo, eram solicitados pelo clero (com figuras de santos e narrativas bíblicas), e a nobreza usava como decoração. No Séc. XVIII: Ciclo dos Mestres – A decoração era mais exuberante, com cores mais vivas, e um desenho mais livre, dando espaço à imaginação. No Séc. XIX: Houve 2 correntes artísticas: - Norte: havia a valorização do relevo, do volume e do contraste luz/sombra - Sul: havia a continuidade de padrões lisos Cores: - Azul e Branco: cultura holandesa e da porcelana oriental, simbolizavam estatuto, elegância - Azul e Amarelo: significavam riqueza, usados nas igrejas e palácios Exemplos: Estação de São Bento – Porto; Chiado; Alfama Cenas Religiosas nas capelas estão a azul e branco, Cenas Pastoris e paisagens, a azul e branco eram usadas como decoração..
12 Azulejos que não tenham padrões a azul e branco representavam dinheiro, riqueza Calçada Portuguesa No século XV, Afonso de Albuquerque oferece a D. Manuel I um rinoceronte, cujo nome era Ganga. Este havia sido colocado numa das guaritas da Torre de Belém e no Mosteiro de Alcobaça. O Rei mandou colocar umas pedras, calcário branco e cinzento, para fazer de passadeira para o rinoceronte poder passar durante os cortejos sem ficar coberto de lama. A utilização da calçada começou a ser utilizada como algo decorativo, representando o que melhor nos distingue dos outros países (ondas, caravela), combinando as cores de calçada existentes, pedra branca, preta, cinzenta escura, cinzenta clara e rosa, sendo esta última a mais cara e rara. A calçada tinha um estilo irregular da colocação das pedras em cubos e com um enquadramento diagonal. Eram feitos padrões decorativos representativos de momentos históricos como os descobrimentos e outros, por exemplo, folhagens, barcos, rostos, animais, seres mitológicos e frutos. Os primeiros calceteiros era um grupo de presidiários, que instalaram a calçada no Castelo de São Jorge. Os países lusófonos (Brasil, Cabo Verde, Timor, entre outros) têm presente a calçada portuguesa pois durante a época dos Descobrimentos as naus iam carregadas com estas pedras pois as mesmas ofereciam estabilidade durante a navegação e ao chegarem a esses países realizava-se a troca das pedras por outros produtos. O trabalho dos azulejos e da calçada portuguesa são únicos, tornando-os também elementos culturais importantes como o hino, a bandeira e o Fado..